Distritais atrás das grades




     "Pode entrar que a casa é sua”. Esse é o lema que a Câmara Legislativa do DF tem espalhado em outdoors por toda a cidade, inclusive em área tombada. Só que a partir dos próximos meses quem for visitar a chamada “ Casa do povo” irá se deparar com grades e placas de ferro instaladas ao redor do prédio. O cercamento móvel, a um custo inicial de R$ 312,2 mil para o contribuinte-eleitor irá, segundo o edital, além de restringir o acesso da população, proteger o patrimônio público e seus ocupantes em casos de manifestações. 
     O temor dos dirigentes da Casa é procedente. Boa parcela dos brasilienses ainda não enxerga   a CLDF como uma instituição necessária à capital, ou realmente comprometida com as boas práticas políticas. Muito pelo contrário. Há deputados despreparados que perdem tempo fazendo leis que nunca serão postas em prática, e quando o fazem pensam em mais votos, não na cidade. O argumento para a existência da Câmara Legislativa é a democracia desvirtuando o sentido próprio da palavra com atos e omissões. Os casos de corrupção e de proteção a deputados já processados pela justiça aguardam anos por definição da Mesa. Mas as grades estão chegando mais perto. 
     As ausências ao trabalho são a regra. A produção legislativa é miúda. O encarecimento para funcionar é constante e ascendente. As mordomias são muitas e abusivas. Aliás, o que mais surpreende a população é justamente o alto custo para o funcionamento da Câmara, e a falta de cerimônia dos distritais em torrar as verbas indenizatórias. Entre 2007 e 2009 foram gastos mais de R$ 7.5 milhões, com uma média de R$ 350 mil por deputado. São cerca de 1.150 comissionados, com um custo superior a R$ 50 milhões por ano, o suficiente para a construir 50 escolas de médio porte. Muitos são fantasmas. 
     Por qualquer ângulo que se analise os gastos com a CLDF, os números são surpreendentes e revelam a enorme distância que há entre essa instituição e as outras repartições públicas como escolas e hospitais. E é justamente por ser uma mina de gastos, cravada no centro da capital , que seus ocupantes temporários resolveram cercá-la . Pelo menos a população que passa ao largo, longe dessas mordomias, poderá observar suas excelências atrás das grades.

Fonte: http://www.dzai.com.br/aricunha/blog/aricunha?tv_pos_id=146028

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